sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A arte consola,assim como ver o sorriso de uma criança ingénua,ou olhar o mar,as estrelas no céu com seu magnifico brilho.
Espanta a tristeza,a solidão essa, que é como uma senhorinha desagradável que vem nos visitar e fica por dias,ás vezes meses,anos.
A poesia e a literatura consola,faz pensar e refletir sobre o mundo e as pessoas que vivem nele.
Os quadros impressionistas com suas cores e luz consolam,um monet nos faz sorrir,viajar em seu mundo colorido.

Um filme do gordo e magro,buster keaton chaplin seguindo no final por uma ruazinha qualquer consolam.
O sexo consola,o beijo,o toque de uma mulher atraente,pegar o carro e sair sem destino por ruas e avenida a noite.
Os bebados se consolam na bebida,os solitários com cigarros e com prostitutas baratas e o sonhador se consola vendo as estrelas no céu.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ela sabia que a vida não era fácil,mas em seu quarto fantasiava,se alimentava de sonhos e devaneios.A alegria vinha de uma tv colorida e dos posteres na parede de atores famosos.
Á mesa conversava com a empregada e comentava que iria se casar em Paris e conhecer as ilhas gregas.
A empregada indagava que torcia para que aqueles sonhos se tornassem fato ,mas sabia que a realidade era muito dura,faltava a Valéria um senso de realidade,afinal quase sempre ela vivia doente e não saia do quarto que ficava sempre com as janelas cerradas.
Era uma pessoa que parecia passar despercebida pela vida,não havia brilho em seu semblante,nenhuma joie de vivre, era feita de neblina e sombras.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Vanessa sentiu que a noite ,a solidão entrava em sua casa de uma forma abrupta naquele pequeno apartamento ela a encontrou deitada na cama lendo uma revista em quadrinhos.
Aquela revista escondia a sua tristeza ,depois de ler aquele quadrinho colocou sobre a pequena estante ,apagou a luz do abajur e dormiu .
Em seus sonhos ,sonhava que a alegria assim como a solidão entrava em sua casa e em sua vida de uma forma deliciosamente irresponsável, mas no fundo sabia que ao contrario,a alegria era mais contida possuia mais sutileza e menos pressa que a tristeza que entra bruscamente sem ser convidada .

texto:Ricardo Luiz Almeida Pinto Ferreira
O poeta, não tinha pressa,escrevia devagar, apreciando as palavras,gostava de dizer que não escrevia,mas fazia com que letras dançassem no papel.
Gostava do barulho da velha máquina remington preta, o ritual da folha colocada de forma impecável,o fluir de idéias que se apresentava como se fosse uma cachoeira de palavras.
Dizia que a pressa era pra carros e trens e que pessoas deveriam andar devagar quase em "slow motion" aproveitando cada momento da vida,tudo era para ser observado até aquilo que nos parecia desimportante ou bobo.
Quando já estava velho e pressentia o fim ou aquilo que Machado de Assis chamava "indesejada das gentes".
Sereno ajeitou a cadeira,os quadros,não estava triste ou alegre,de fato se fosse possível seduziria a morte com o vinho tinto que bebia ou com poemas que ele muito modesto diziam ser apenas razoável.
Que nada, a danada não se comove ou seduz com qualquer coisa, falta a ela mais sensibilidade, a esta dona fria e sem nenhum mistério.
A noite chegou trazendo a lua e levando o poeta e calando para sempre suas palavras.
Ricardo luiz Ferreira
Vivo sorrindo e tudo me parece leve feito uma pluma.
Sinto alegria igual às crianças que brincam pela primeira vez na chuva.
As lágrimas não me atingem e a tristeza passa a passos largos de mim.
O sorriso me protege, é como se o riso desenhado em meu rosto
calasse a todos que me queiram mal.
Sim posso dizer que o sorriso e a irônia
são as defesas de um mundo que perdeu
a graça e a generosidade.
Substitui-se a beleza de varias coisas
Em um bonito pré fabricada de uma só.
Não estamos perdidos, mas escuto gritos
e soluços de alguém ao longe.
São gritos desesperado de quem perdeu
os sonhos,a ironia e a riso fácil das coisas
da vida.
Ricardo luizFerreira
Amigos se faz e se desfaz feito um cubo mágico
Se perde aqui ,se ganha acolá
Alguns você sentira saudades e outros passaram
Em branca nuvens ,feito fumaça ou com a pressa
Dos ponteiros de um relógio.
Uns partiram para nunca mais voltar e outro
a gente encontrara nessas repletas e quase
Infinitas esquinas da vida.
Alguns se tornaram inimigos destes que você
abomina e quer distância, que olha torto quando
você atravessa a rua,mas não se preocupe nada mais
Humanos do que ter inimigos.
Afinal que graça teria se todos gostassem de você ou que
aplaudissem seus feitos.Na realidade a matemática da amizade é bem ingrata ,não multiplica mas se divide.
Subtrai, enquanto os chatos,os medíocres ou os previsíveis ultrapassam um bilhão.
ricardo luiz Ferreira
Ulisses perdeu seu Shangrila



Naquele bar, um sujeito sorvia uma deliciosa e gelada cerveja, enquanto viajava em seus pensamentos lembrava precisamente a infância, época que trazia a ele muitas boas lembranças.
Naqueles tempos, gostava de subir nos pés de manga e soltar pipa na velha chácara dos seus avôs, que sempre o recebeu com festa e uma travessa de biscoito de polvilho recheado de queijo que ele tanto adorava.
Nas noites, era comum sua avó tocar viola caipira em volta de uma fogueira e ser acompanhado por seu avô que ficava a cantarolar aquelas autênticas canções sertanejas.
Ah! Como era bom aquele período de sua vida, nunca se esqueceu dos tapinhas nas costas e do incentivo dado por seus avôs e principalmente: uma palavra que depois de anos, mas infelizmente com um gosto amargo nunca esquecera “você um dia vai ser grande, infelizmente não fora, pessoas vis e perniciosas destruíram a sua estima, havia se transformado numa marionete sem emoção.
Naquela mesa de bar sorvendo a bebida e olhando aquelas pessoas da mesa ao lado rindo e vivendo, Ulisses atinou que a sua felicidade era feita de passado, e que esta, era apenas uma foto dele menino abraçado com seus avôs naquela bela chácara.
Sentado à mesa chorava discretamente, uma pequena lágrima quase invisível descia do seu rosto, talvez por se lembrar que um dia, há muito tempo havia conquistado o seu shangrila sem saber oque esta palavra significava.
Depois de beber todas como dizem, pagou a conta e saiu cambaleando pelas ruas escuras, cuja única companhia era da velha lua que iluminava a sua triste caminhada naquela noite, seu coração assim como sua alma e esperanças haviam se transformado numa imensa Sibéria, nada fazia sentido naquele teatro, o presente era apenas uma foto preto e branco sem vida esquecida no porão suja da realidade. Lugar em que roedores imaginários trituravam o seu brio e dignidade.

Ricardo Luiz AP Ferreira