quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O poeta, não tinha pressa,escrevia devagar, apreciando as palavras,gostava de dizer que não escrevia,mas fazia com que letras dançassem no papel.
Gostava do barulho da velha máquina remington preta, o ritual da folha colocada de forma impecável,o fluir de idéias que se apresentava como se fosse uma cachoeira de palavras.
Dizia que a pressa era pra carros e trens e que pessoas deveriam andar devagar quase em "slow motion" aproveitando cada momento da vida,tudo era para ser observado até aquilo que nos parecia desimportante ou bobo.
Quando já estava velho e pressentia o fim ou aquilo que Machado de Assis chamava "indesejada das gentes".
Sereno ajeitou a cadeira,os quadros,não estava triste ou alegre,de fato se fosse possível seduziria a morte com o vinho tinto que bebia ou com poemas que ele muito modesto diziam ser apenas razoável.
Que nada, a danada não se comove ou seduz com qualquer coisa, falta a ela mais sensibilidade, a esta dona fria e sem nenhum mistério.
A noite chegou trazendo a lua e levando o poeta e calando para sempre suas palavras.
Ricardo luiz Ferreira

1 comentários:

O Amor Fati disse...

Muitooooooo bom, meu amigoo.
Gosto sempre e muito do que vc escreve.
beijinho